Ligações entre genes e síndrome da fadiga crônica destacadas pela primeira vez

O maior estudo até o momento sobre encefalomielite miálgica (EM), ou síndrome da fadiga crônica (SFC), revelou "sinais genéticos" ligados à doença, anunciaram os pesquisadores que o conduziram em uma coletiva de imprensa. Seus resultados ainda não foram publicados em um periódico revisado por pares, mas estão disponíveis desde quarta-feira, 6 de agosto, no site da Universidade de Edimburgo , que iniciou o estudo.
“Mal compreendida, essa patologia afeta vários milhões de pessoas no mundo todo e está associada a sintomas muito incapacitantes, como exaustão ou dificuldade de pensar com clareza”, lembra a revista americana Science, que faz eco à descoberta. Não há tratamento para curar a encefalomielite miálgica e nenhuma ferramenta para diagnosticá-la com precisão.
Para este estudo, chamado DecodeME , os pesquisadores compararam mais de 15.000 amostras de DNA de cerca de 22.000 pessoas com SFC com DNA de quase 260.000 pessoas sem a doença. Todas eram do Reino Unido e tinham ascendência europeia.
Os pesquisadores identificaram oito regiões do genoma que parecem significativamente diferentes em pessoas com SFC em comparação com outras, "indicando que as variantes genéticas presentes ali contribuem para o risco de desenvolver esta doença", relata a New Scientist.
Esta descoberta não permite o desenvolvimento imediato de tratamentos adequados. No entanto, Sonya Chowdhury, presidente da organização beneficente britânica Action for ME e coautora do estudo, afirma com satisfação que este trabalho já ajuda a "validar e dar credibilidade" às pessoas que sofrem desta patologia. "Muitos já foram informados de que a encefalomielite miálgica não é uma doença real. Vão ao médico e não acreditam, dizem-lhes que é uma doença imaginária", relata.
Além de legitimar o sofrimento, esses resultados permitirão que os pesquisadores examinem mais de perto essas oito regiões do genoma e tentem entender como as especificidades genéticas que ali aparecem se traduzem no nível celular em pessoas que sofrem de encefalomielite miálgica. O objetivo final é desenvolver testes diagnósticos e tratamentos medicamentosos que visem os mecanismos fundamentais da doença. Mas isso requer financiamento, apontam os pesquisadores.
Esses valores devem ser ponderados em relação ao custo da doença. “ Estima-se que 67 milhões de pessoas em todo o mundo sofram de encefalomielite miálgica/síndrome da fadiga crônica, o que representa um custo anual de várias dezenas de bilhões de euros. No Reino Unido, estima-se que essa doença custe mais de 3 bilhões de libras [3,43 bilhões de euros ] por ano”, relata o The Guardian.
Courrier International