Fortuna de Elon Musk recuou mais de 22 mil milhões num dia
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A fortuna de Elon Musk recuou mais de 22,2 mil milhões de dólares na terça-feira com os mercados a castigarem a Tesla após as vendas afundarem na Europa. Foi a quarta maior queda diária na sua fortuna.
A cotada fechou abaixo do bilião de dólares pela primeira vez desde 7 de novembro, passando a valer quase 974 mil milhões. Já caiu mais de 14% nas últimas cinco sessões.
Apesar da queda na sua fortuna, ainda está 100 mil milhões mais ricos face à período pré-vitória de Donald Trump em novembro.
A sua fortuna atingiu um recorde a 17 de dezembro: mais de 486 mil milhões de dólares, à boleia do disparo da Tesla na reta final de 2024 e de ter angariado financiamento para diversos negócios.
Musk tem se focado no Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), mandatado por Trump, e anunciou que já cortou 65 mil milhões de dólares, menos de 1% do orçamento federal dos EUA em 2024.
A 19 de fevereiro, a “Bloomberg” noticiou que dos então 55 mil milhões de dólares anunciados como cortados pelo DOGE, apenas quase 17 mil milhões seriam realmente efetivos.
“Os sonhos europeus da Tesla estão a ser travados com as vendas de janeiro a cair”, disse Steve Man, analista da Bloomberg Intelligence, apontando que a marca “está a enfrentar concorrência e as controvérsias de Elon Musk”.
Na reta final de 2024, a ação da Tesla disparou após a eleição de Donald Trump com os investidores a acreditarem que a amizade entre o empresário e o novo presidente iria facilitar ao ambiente regulatório à empresa que quer apostar nos carros autónomos.
A ação atingiu um máximo em dezembro, mas tem vindo a recuar com quedas nas vendas e o foco de Elon Musk com a política nos EUA (lidera o DOGE, departamento que está a fazer cortes no sector público do país) e também na Europa (onde apoia a extrema-direita alemã).
A Tesla é mesmo a maior perdedora entre as Sete Magníficas.
As vendas da Tesla afundaram 50% nos países da União Europeia (UE) em janeiro face a período homólogo, revelou hoje a Associação Europeia de Construtores Automóveis (ACEA).
Das mais de 15 mil unidades vendidas há um ano, a marca de Elon Musk viu as vendas recuarem para perto das 7.500 unidades.
Este afundanço acontece num momento em que o peso dos carros eletrificados aumenta, e muito na Europa.
No mercado total, as vendas recuaram quase 3%, com quedas de 6% em França e em Itália e de 3% na Alemanha, com Espanha a registar uma subida de 5%.
Os carros a combustão viram a sua quota de mercado afundar quase 10 pontos no espaço de um ano, pesando agora 39% no mercado.
Já os veículos eletrificados pesam agora mais de 60% do mercado.
Olhando para outros fabricantes, as vendas do grupo Volkswagen subiram 6%, as da Stellantis afundaram 18%, do grupo Renault subiram 5%, do grupo Toyota desceram 5%, do grupo BMW recuaram 1%, da Mercedes-Benz desceram mais de 6%.
As vendas de 100% elétricos cresceram 34% em janeiro, com 15% de quota de mercado, com destaque para os crescimentos na Alemanha (+53%), Bélgica (+37%) e Países Baixos (+28%).
As vendas de híbridos elétricos subiram 18%, com uma quota de 35%, com crescimento nos quatro maiores mercados: França (+52%), Espanha (+23%), Alemanha (+14%) e Itália (+11%).
As vendas de híbridos plug-in caíram 8%, pesando 7% no mercado total, com quedas de 66% na Bélgica e de 54% em França.
As vendas de carros a gasolina recuaram 19%, com quedas em todos os mercados, com destaque para a França (-28%), Alemanha (24%), Itália (-17%) e Espanha (-11%).
A quota de mercado caiu de 35% para 29% no espaço de um ano.
Já os carros a gasóleo afundaram 27%, ocupando agora uma quota de 10%
Tal como o JE escreveu no dia 21 de fevereiro, as quedas registadas em janeiro (ainda só eram conhecidas as vendas em alguns mercados) refletem a queda de 10% da Tesla no mercado europeu em 2024.
Vários fatores pesam sobre a marca: a concorrência europeia e chinesa está a avançar; os modelos da Tesla estão a envelhecer; o fim dos cheques para carros elétricos em vários países não ajuda (mas o restante mercado não se ressente); analistas consultados pelo JE apontam que as posições políticas de Musk na Europa (como o apoio à extrema-direita na Alemanha) também pesam nas vendas.
jornaleconomico