A idade média dos carros em Espanha ultrapassa os 14,5 anos
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A frota de automóveis espanhola está envelhecendo ano após ano e não há perspectiva de melhoria no curto ou médio prazo. A idade média da frota de automóveis de passeio em circulação na Espanha é agora de 14,5 anos, contra 14,2 anos em 2023, segundo um estudo da consultoria Ideauto fornecido pela associação de fabricantes de veículos Anfac.
Isso significa que o peso dos veículos com mais de 20 anos está crescendo na frota total, já representando 27,7% da frota total e cerca de 8,7 milhões de carros, 11,2% a mais que no ano passado. Soma-se a essa tendência o fato de que os registros ainda não recuperaram os números pré-pandemia, o que faz com que os veículos com menos de 5 anos representem apenas 16,4% do total, principalmente os automóveis de passeio, que representam ainda menos, 16,2%, da frota total, situação que o diretor-geral da Anfac, José López-Tafall, considera “muito preocupante”.
E essa tendência de envelhecimento da frota de veículos continuará aumentando, de acordo com dados da Anfac. A população continuará a crescer e envelhecer a uma taxa constante até atingir 16 anos de idade em 2030, sem nenhuma ação para retardar ou interromper essa tendência. Na opinião do setor, este não é um bom caminho por duas razões fundamentais: o seu impacto negativo na segurança rodoviária e no ambiente, num contexto em que o desafio europeu é zero acidentes e zero emissões no transporte.
A melhoria da tecnologia e dos equipamentos dos novos veículos, bem como os enormes avanços nos sistemas de assistência à condução, reduzem significativamente os acidentes ao volante. O Diretor Geral de Trânsito, Pere Navarro, explica que “o risco de morrer ou ficar gravemente ferido em um acidente de trânsito é duplicado quando se comparam acidentes que ocorrem com veículos de dez a quinze anos, em comparação com veículos com menos de cinco anos”.
A mesma relação existe entre veículos antigos e emissões poluentes. Segundo dados da Anfac, veículos sem rotulagem ambiental ou classificados como B contribuem com 93% das emissões poluentes. E entrando em detalhes sobre emissões, há outra grande diferença: um carro a gasolina Euro 6 recente (rótulo C) emite 60 miligramas de NOx por quilômetro percorrido, enquanto um anterior a 2001 (Euro 3, rótulo B) emite 2,5 vezes mais.
Os veículos industriais são os mais antigos da frota, com idade média de 15,1 anos; Logo atrás vêm os veículos comerciais, com 14,7 anos, e em terceiro lugar estão os ônibus, com 11,5 anos em média, sendo os mais novos da frota de veículos espanhola.
Em 2024, havia 31,3 milhões de veículos na frota, o que representa um aumento de 1,9% em relação ao ano anterior. O relatório da Ideauto explica que esta relação se deve ao facto de “o parque automóvel espanhol estar a aumentar, uma vez que o balanço entre novos registos e anulações e/ou abates é positivo”.
O número de automóveis de passeio atingiu 26,4 milhões, um aumento de 1,7% em relação ao ano anterior. Os veículos comerciais, por sua vez, aumentaram 2,7% no último ano, atingindo 4,1 milhões de unidades. Os que mais cresceram em valores absolutos foram os veículos industriais, com 3,4% e 616.878 unidades totais. Por fim, são 64.097 ônibus, 1,9% a mais que em 2023.
Por tipo de combustão, os veículos a gasóleo continuam a ser maioritários no parque espanhol, já que quase 3 em cada 5 veículos (58,9%) utilizam este combustível, diminuindo ligeiramente, 0,5%, face a 2023, e situando-se nas 18.427.111 unidades. Os veículos a gasolina representam 33,8% da frota, sendo a maioria deles automóveis de passeio.
Por outro lado, a frota de veículos eletrificados atingirá 495.086 unidades em 2024, o que representa 1,7% do total.
A opção mais aceitável para os motoristas espanhóis neste mercado são os híbridos plug-in (PHEV), com 258.238 unidades no total (1% da frota), em comparação com 200.945 unidades de veículos puramente elétricos (BEV), 0,7% da frota total.
lavanguardia